26/10/2016

Tema foi destaque em fórum realizado com profissionais e especialistas do setor na cidade de São Paulo

Casal tira foto na natureza

A conexão dos brasileiros com a sustentabilidade se fortalece a cada dia. Há uma preocupação crescente sobre as origens e impactos do que se come, do que se veste, do que se consome em geral.

No turismo não é diferente. Uma pesquisa realizada no início do ano pelo site de planejamento e reservas TripAdvisor aponta que 65% dos brasileiros pretendiam fazer uma viagem sustentável nos próximos 12 meses.

Essa mudança de postura por escolhas mais conscientes abre um universo de possibilidades para quem trabalha na área. "Não tem volta, esse é o caminho. Tem cada vez mais iniciativas pipocando no Brasil inteiro", disse Paula Arantes, responsável pela organização do Fórum Interamericano de Turismo Sustentável (FITS), realizado nos dias 14 e 15 de outubro como parte da programação da Adventure Sports Fair, na cidade de São Paulo.

O evento, que acontece há 12 anos, traçou um amplo panorama das ações desenvolvidas com base nos pilares ambiental, sociocultural e econômico. A inovação se destacou como ponto fundamental para o desenvolvimento, não apenas dos profissionais, mas como do próprio setor.

"É importante que a gente esteja preparado para administrar os obstáculos internos diante das demandas dos viajantes globais", disse Fernando Kanni, docente do Senac e mediador da mesa Desafios da Inovação para Negócios Turísticos Sustentáveis, que marcou a abertura do evento.

Desafios e oportunidades
Um dos obstáculos a que Kanni se refere é a falta de investimento e políticas públicas mais expressivas no Brasil quando comparado a outros países, como a Espanha.

O país é tido como exemplo no setor por seu plano de destinos turísticos inteligentes, pautado na governança, tecnologia e desenvolvimento sustentável, um tripé que garante ganhos tanto para o viajante quanto para a população local.

A experiência espanhola foi apresentada por Alexandre Biz, docente e pesquisador na área de turismo e tecnologia.  Para ele, o sucesso do projeto se deve ao fato de ser uma política de Estado, não de governo. "É preciso que o país veja o turismo como potência econômica nacional", afirmou Biz.

Tecnologia é outro ponto a ser explorado nesse processo de inovação. Para Alexandre Cordeiro, gerente geral da TrendTech, as empresas que atuam no Brasil não têm aproveitado as ferramentas disponíveis no mercado de maneira eficiente para interagir com possíveis consumidores, principalmente nas etapas de inspiração e planejamento de viagens.

Cordeiro apontou a inteligência artificial, machine learning e o uso de dados como alguns dos itens que podem otimizar o relacionamento com clientes. Os termos podem assustar quem não tem familiaridade com o assunto, mas essa busca por soluções começa com uma simples ação: ouvir as dificuldades dos viajantes. "É preciso escutar as dores, entender quais são os obstáculos e usar a tecnologia como aliada para buscar essas saídas", disse.

Os diálogos realizados no fórum mostraram que existe um grande leque de opções para quem quer investir no setor. "Vimos que há uma grande carência em comunicação, ferramentas que facilitem o acesso à informação, que divulguem determinados destinos. A tecnologia, por exemplo, pode ser usada como essa ponte entre turistas e comunidades. Há também uma grande oportunidade nas unidades de conservação e no entorno desses espaços, e pouquíssima gente está trabalhando com isso", afirmou Paula.

Fonte: www.iniciativassustentaveis.turismo.gov.br

Por onde começar?
Além de apontar caminhos para inovar na área, o fórum apresentou alguns projetos que servem de parâmetro quando o assunto é turismo sustentável.

O Global Sustainable Tourism Council (GSTC) é uma instituição internacional que tem como objetivo estabelecer e gerenciar normas globais para a sustentabilidade. Ao todo, são 41 critérios voltados para hotéis, operadores turísticos e destinos, baseados nos pilares Gestão da Sustentabilidade, Social e Econômico, Cultural e Ambiental.

 

No cenário nacional, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) conta com a norma Meios de Hospedagem – Indicadores para o sistema de gestão da sustentabilidade, na qual orienta quais fórmulas devem ser usadas para determinar o consumo de água, energia elétrica, resíduos, entre outros dados.

Quem busca exemplos bem-sucedidos no Brasil ainda pode consultar um mapa disponibilizado pelo Ministério do Turismo com as iniciativas vencedoras do Prêmio Braztoa de Sustentabilidade. O evento é realizado desde 2012 pela Associação Brasileira das Operadoras de Turismo e mapeia projetos sustentáveis desenvolvidos no país.

Especialização
O FITS ainda contou com o lançamento oficial da pós-graduação Inovação e Empreendedorismo em Negócios Turísticos Sustentáveis, novo curso a distância do Senac. Pioneira no mercado, a especialização terá início em 2017, período definido pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o Ano do Turismo Sustentável para o Desenvolvimento.

"A pós-graduação traz uma proposta contemporânea, que vai suprir as necessidades e empoderar os destinos turísticos e empreendedores, focando na inovação e gestão responsável", afirmou Kanni, que participou do desenvolvimento do curso. "Um grande ganho em oferecer a pós-graduação a distância é atingir novos espaços territoriais e disponibilizar esse conteúdo para alunos de diferentes regiões", disse o docente.

Paula elogiou o lançamento do curso e relembrou sua história com o Senac, onde realizou sua pós-graduação em Turismo Ambiental em 1995. "O curso foi um divisor de águas na minha trajetória profissional. Fiquei muito feliz com o lançamento dessa nova pós-graduação, pois no Brasil temos poucas opções de capacitação nessa área, além de não atenderem a essa diversidade de temas que o Senac abordará", afirmou a coordenadora do evento.

Saiba mais sobre a pós-graduação Inovação e Empreendedorismo em Negócios Turísticos Sustentáveis, que está com inscrições abertas no Senac EAD.

 

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