03/05/2017

Mulher lê livro sentada

Em alta no Brasil, os clubes de assinatura literários atraem cada vez mais leitores que buscam vivenciar as experiências oferecidas pelo serviço, que consiste no envio mensal de uma caixa surpresa, composta por um livro, materiais de apoio e um objeto relacionado ao título, indicado, geralmente, por um escritor convidado ou por um grupo de curadores ligados ao universo literário.

"O clube de assinatura não atinge apenas as pessoas que gostam de ler. Ao promover uma experiência de consumo, atinge as pessoas com o desejo de possuir o objeto livro, com todo um ritual envolvido. Atinge também quem tem um lado spoiler, de detetive, que busca pelas pistas dadas para tentar descobrir o autor e a obra do mês seguinte", afirma Diolia de Carvalho Graziano, responsável pela coordenação da pós-graduação do Senac EAD em Gestão Cultural: cultura, desenvolvimento e mercado. "Isso tudo agrega emoção, a emoção da pesquisa, do burburinho para descobrir o título, da espera, da abertura do box para revelar o que veio nele. Então, não se trata apenas de receber um livro em casa e ler, é uma experiência literária", diz a profissional.

Além de instigar a curiosidade e despertar o lado lúdico dos leitores, o serviço ainda oferece a comodidade de receber títulos específicos em meio a tantos outros lançados anualmente, possibilitando, ainda, conhecer um pouco mais do gosto particular dos curadores. Entre eles, figuram nomes de peso, como Ziraldo.

O cartunista é membro da equipe do Quindim, uma das iniciativas mais recentes no segmento infantil. O nicho, inclusive, concentra boa parte dos clubes de assinaturas de livros e atraiu, até mesmo, grandes empresas do mercado editorial, como a editora Companhia das Letras, que atua no setor por meio do projeto Expresso Letrinhas. 

Outro nome de destaque da literatura que contribuirá com um clube de assinatura é o peruano Mario Vargas Llosa, vencedor do Nobel de Literatura e curador de maio na TAG – Experiências Literárias, conhecida como uma das primeiras iniciativas do segmento no Brasil.

Desde o lançamento, em 2014, a TAG viu o número de associados subir de 65 para 13 mil. Neste ano, investiu ainda mais na exclusividade oferecida aos clientes, trocando os livros já produzidos e comercializados pelas editoras por edições desenvolvidas pela própria empresa, que chegam aos leitores em capa dura e com projetos gráficos especiais. 

A TAG possui, ainda, um aplicativo para dispositivos móveis com o objetivo de criar um espaço de interação entre os leitores, no qual eles podem trocar ideias a respeito dos livros enviados mensalmente. O clube, assim como outras plataformas, também produz conteúdo em parceria com os booktubers, como são conhecidos os donos de canais literários do YouTube.

"Esses clubes de assinatura são uma inovação ao atingir o consumidor de uma forma que antes não se pensava em fazer. Agora, grandes players estão entrando nesse mercado, neste modelo específico de negócio", afirma Diolia, que sinaliza o caminho para quem deseja investir no setor. "Acredito que essas iniciativas transmidiáticas devem despontar. Quem quer atuar nesse segmento precisa trabalhar com transmídia", completa.

Saiba mais sobre a pós-graduação em Gestão Cultural: cultura, desenvolvimento e mercado e confira os demais cursos oferecidos pelo Senac EAD.

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