22/01/2018

logística urbana


Nos últimos anos, o padrão de consumo, principalmente com o crescimento de ofertas pelo e-commerce tem exigido cada vez qualidade e agilidade nas entregas dos produtos pelas lojas.

Dessa forma, a logística urbana tem se preocupado em reorganizar seu fluxo de movimentação de mercadorias, passando pelo uso sensato de veículos pesados e estratégias inovadoras de transporte, armazenagem e gestão integrada da cadeia de suprimentos.

Demanda crescente, tipos de transportes, centros de distribuição, uso de aplicativos, aspectos financeiros e profissionais de logística. Confira entrevista com Rodrigo Mercio Silveira, coordenador do curso Técnico em Logística do Senac EAD.

O crescimento de demanda (gerada pelo e-commerce) e a exigência por entregas cada vez mais ágeis pedem por estratégias mas apuradas?
Ao montar a estratégia logística no e-commerce, o empresário deve estar atento à área geográfica de atuação da loja virtual, ao prazo de entrega, analisar o prazo da concorrência, como os produtos serão embalados, se o armazém utilizado será compartilhado com o da loja física (casos de uso de lojas física e virtual), como serão tratadas as devoluções, como será realizado o planejamento de reposição de estoque, qual o custo da entrega (quem irá arcar com o frete) e como o cliente irá acompanhar o produto até o recebimento.

Por fim, posso afirmar que a melhor estratégia sempre é cumprir com o acordado com o cliente, quantos ao que for anunciado ou prometido.

Utilizar veículos pesados para circular menos pela cidade pode acarretar em atrasos nas entregas já que, nesse caso, é preciso acumular produtos pelo tamanho do caminhão. Como isso funciona?
Isso passa por uma boa estratégia de roteirização de entrega, que é uma importante área da logística. A escolha do uso de veículos leves ou pesados dependerá de questões como: tempo (agilidade), quantidades, perecibilidade, custo e distância. Outra atenção quanto à escolha de entregas entre os leves ou pesados diz respeito ao alto fluxo de veículos nas ruas. Muitas empresas já estão adotando restrições de tráfego.

Em muitas cidades, veículos de cargas, como caminhões maiores, não podem circular em determinadas regiões e/ou horários, por conta de peso e tamanho.
Reforço que devemos estar atentos ao que foi acordado com o cliente em temos de prazo de entrega.

Essa restrição vai contra a agilidade na entrega, já que o curto prazo de entrega é um diferencial competitivo entre as empresas.
As empresas necessitam lidar com o dilema de custo e agilidade referente ao prazo de entrega. Para isso, precisa de informações rápidas para a tomada de decisão correta quanto às variáveis citadas na questão anterior. Porém, sempre devemos focar na satisfação e retenção do cliente. Se a empresa optar por reduzir custos e não entregar no prazo combinado, estará dando espaço para que a concorrência atenda a esse cliente.

Como essa escolha de ação gera inconvenientes financeiros, de tempo e de segurança? 
A escolha entre veículo leve ou pesado deverá ser previamente analisada por meio de um planejamento estratégico quanto à roteirização, custos, tempo de entrega e certamente quanto à segurança dessas cargas. Uma opção que deve ser cogitada é a terceirização desse transporte por um operador logístico.

O que há de novo na definição dos veículos pelas transportadoras?
Os veículos de cargas acompanham as mudanças tecnológicas na mesma velocidade e proporcionalidade que ocorrem com os carros leves. Essa é uma tendência que vem tomando força: a possibilidade de os caminhões estarem o tempo todo conectados, tanto com outros veículos, quanto com a própria empresa ou operador logístico. Isso possibilita trocas de informações em tempo real, no que se refere à localização, ao status do transporte e ocorrências, mantendo a comunicação fluída.

E quanto ao uso de aplicativos, como essa ferramenta ajuda no processo de entregas? 
Além de aplicativos, como os que os clientes acompanham suas encomendas, as empresas e suas equipes também utilizam softwares próprios para roteirização de cargas, que auxiliam a planejar as melhores rotas de entregas, analisando percurso e trânsito e também rastreadores de frota via satélite para monitorar a carga, o que também traz segurança a carga, pois permitem a emissão de alerta de bloqueio do veículo.

Ainda temos softwares de telemetria, que mostram a distância percorrida, detecta se o motorista está dirigindo acima da velocidade permitida, monitora freadas bruscas, mostra o tempo que o veículo ficou parado, disponibiliza dados de consumo de combustível, entre outras informações.

Como são organizados os centros de distribuição?
A organização dos centros de distribuições (CDs) depende do ramo de atuação da empresa. E isso também impacta o layout ou arranjo físico dos produtos, que abrange a localização física dos recursos e ferramentas a se utilizar, determinando sua forma e aparência. O CD ideal é aquele minimiza as distâncias percorrida entre as movimentações de forma eficiente entre os materiais, mas que garante flexibilidade, atentando-se sempre para que os custos de armazenagem se mantenham reduzidos.

Inovações em embalagens, que reaproveitem em fluxos de vai e volta (retornáveis) preocupadas com a sustentabilidade e com os custos envolvidos estão na lista de prioridades da logística?
A embalagem agrega valor ao produto, oferecendo proteção, utilidade e comunicação. Elas são responsáveis por manter suas condições durante os processos logísticos, nos quais um dano em trânsito ou na armazenagem pode destruir o valor de mercado do produto.

Quanto à embalagem retornável, ela contempla as ações sustentáveis e ambientais. E vai além da redução de custos, ela vem ao encontro do que se busca para a qualidade de vida e a preocupação com o meio ambiente. A logística reversa, com seu olhar para o reaproveitamento de embalagens, visa à redução de custos, assim como a logística verde tem suas ações para a produção limpa e a responsabilidade social de retirar da natureza resíduos poluentes.

Tanto a reversa quanto a verde são prioridades para a logística atual.

Qual o papel do técnico em logística nesse processo?
O técnico em logística irá atuar em todas etapas: na armazenagem, na qual ele otimiza espaços e determina condições ideais para cada tipo de material. Nesse ponto, ele deverá preocupar-se com o tipo de embalagem que irá proteger o produto na sua armazenagem e no transporte. Ele está presente na contagem e acuracidade (precisão e exatidão de dados e informações) do estoque. Aqui ele garante que as quantidades estão de acordo com o inventário do sistema.

Além disso, ele atua na manutenção e armazenagem de dados desse software de dados, no processamento de pedidos e no faturamento das notas de expedição de mercadorias. E ainda é essencial no auxílio ao transporte, controlando a conferência de embarque e desembarque de cargas, assim como sua roteirização e rastreamento de entrega.

E caso algo seja feito de forma amadora. Quais as consequências?
São as mais variadas e desastrosas. Certamente, ocasionará prejuízos para a empresa, tais como: estoque físico em inconformidade com o inventário do sistema, produtos avariados no estoque, falta de produtos para atender a um pedido de compra, ocasionando o não cumprimento no prazo de entrega, entrega com quantidades erradas, entre outros tantos transtornos para a empresa e para o cliente.

Fale um pouco sobre como um profissional de logística pode contribuir nas tomadas de decisão ou nas estratégias para a melhoria dos serviços.
Sendo o profissional de nível técnico, ele deve estar atento aos processos que vivencia na empresa e ter um olhar positivo sobre como contribuir para melhorias. Opiniões construtivas de quem atua nas operações diárias são de grande valia para os processos nas organizações.


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