26/02/2018

pessoas caminhando em uma trilha ao ar livre

Quem viaja sabe que a diversão começa antes do check-in ou de pegar a estrada. Sim, a experiência da viagem, hoje em dia, pede que haja um planejamento, que inclui a busca por informações das mais diversas, que não se restringem aos melhores preços.

Hoje, reserva-se um tempo considerável ‘namorando’ o destino, pesquisando sobre história, gastronomia, hospedagem, lugares para visitar e curiosidades locais. E com o avanço da tecnologia, muitos sites e aplicativos têm sido desenvolvidos para ajudar pessoas do mundo todo a planejar suas viagens de forma segura e com menos gasto e principalmente compartilhar suas experiências “O viajante moderno busca avaliações e recomendações nas mais diversas plataformas, seja em redes sociais, blogs, aplicativos ou sites com opiniões referentes a serviços”, afirma Jessica Kobayashi Corrêa, coordenadora de desenvolvimento da pós-graduação Inovação e Empreendedorismo em Negócios Turísticos Sustentáveis do Senac EAD.

Na sua opinião, a grande mudança comportamental é percebida pela necessidade de uma vivência autêntica, diferenciada e personalizada durante a viagem, em contraposição ao formato de acompanhamento de grandes grupos e satisfeito com roteiros já renomados e célebres de cada destino. “A pesquisa sobre o destino é muito mais profunda. As pessoas procuram entender os costumes locais e se adaptar à rotina daquele ambiente”, diz a coordenadora.

“Até mesmo a maneira que nos referimos a esse indivíduo se transformou, o antigo turista agora é apresentado como viajante. Tendo em vista que o termo turista remete ao turismo massificado, sendo que o viajante remete a uma pessoa que está conhecendo o destino em um formato mais vivencial e tendo contato com a realidade e vivência como um morador do destino turístico, ele se integra, interage, vivencia”, explica a profissional. 

Na sua opinião, a indicação tem sido fator decisivo para o consumo. E, seguindo a tendência, as empresas têm se adaptado a essa realidade, seja na divulgação efetiva ou no contato direto com o viajante pela internet. “Geração de novos conteúdos sobre os destinos, com dicas e relatos da experiência vivida pelos viajantes visando auxiliar que outros tenham uma experiência memorável nesses destinos tem sido uma estratégia frequente das empresas que atuam no setor”, relata.

Nesse contexto, a autonomia - característica presente na busca de informações e na liberdade de roteiros e destinos durante a visita, também está presente no ato da compra. A figura das agências e operadoras de viagem são associadas a pacotes engessados e pouco personalizados. Esse aspecto não possibilita para o viajante articular de forma autônoma cada parte da sua viagem. 

Portanto, Jessica indica: “esse é o grande desafio das empresas turísticas: garantir um atendimento personalizado e roteiros flexíveis, mas que possibilitem a sustentabilidade financeira do negócio”.

Diante desse cenário, um estudo realizado pelo Senac São Paulo destaca as principais inovações do setor que tem influência direta na forma de se relacionar com o consumidor atual e, consequentemente, no processo de formação profissional para esse segmento.

Turismo 3.0
Iniciativas como Airbnb, Couchsurfing, Blablacar, Quanto Custa Viajar representam esse grupo, que tem a tecnologia como facilitadora do acesso à informação, pessoas e destinos se destacam por serem negócios da economia compartilhada e colaborativa. Aqui, o digital atua para promover interação do viajante com os destinos turísticos. A Blablacar, por exemplo, reúne condutores com lugares livres para pessoas que vão ao mesmo destino ou à metade do caminho.

Turismo de Empatia
A rede Wordpackers, WWOOF - World Wide Opportunities on Organic Farms e Garupa representam esse grupo, que tem o engajamento social e sustentável como premissa para uma participação e colaboração mais ativa do viajante no destino turístico que irá visitar. O conhecer passa a ser também vivenciar e contribuir para o local, com um propósito maior e entendendo e experimentando a realidade daquele local. Um exemplo pode ser trocar o valor da hospedagem por habilidades e serviços profissionais.

O livro Turismo de Empatia, da jornalista Talita Ribeiro, sobre sua viagem à Jordânia e ao Iraque, onde conheceu campos de refugiados sírios e iraquianos, traz dicas sobre as atrações que visitou em cada país e ajuda a entender essa questão do propósito e do engajamento social do viajante.

Turismo Terroir
Minube, Dubbi, Kuritibike, Inside Music Land e Sul Hoteis representam esse grupo em que a personalização é o grande destaque. O objetivo é atender à necessidade do viajante em sua particularidade, na essência do que ele busca e garantindo a diferenciação da experiência.
Pode-se, por exemplo, participar de um bike tour que passa por pontos de arte urbana como painéis, pinturas e grafites, em Curitiba.

Hospitalidade como diferencial na experiência do viajante
Os moradores das cidades que estão em roteiros, hoje, visitados acompanham as mudanças em sua própria cidade para receber os visitantes. Jessica conta que os locais são os principais interessados no impacto que esses novos fluxos geram e alteram a dinâmica da economia local, por isso, discussões em relação ao limite de turistas também têm sido constantes e, alguns destinos.

Paralelamente, já existem aplicativos idealizados para estabelecer a conexão entre turistas e locais com interesses similares. Isso facilita o acesso a dicas e recomendações sobre o destino a ser visitado.

Uma experiência memorável do viajante passa por sua interação e relacionamento com a comunidade local, tanto de profissionais quanto de moradores da localidade. “Dessa forma, a hospitalidade local é um diferencial na experiência da pessoa que viaja. Portanto, acolhimento e profissionalismo são peças fundamentais nesse atendimento. Saber identificar experiências reais e diferenciadas para que todos possam vivenciar também é fator decisivo. Portanto, capacitação que envolva criatividade, inovação e olhar para tendências e oportunidades são elementos  necessários para as empresas e moradores locais poderem desenvolver seus destinos e a experiência do viajante”.


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