05/04/2018

estrutura de um palco de show musical, com dois trabalhadores na montagem

Neste ano, dezenas de grandes eventos tomam conta do país. De acordo com o Ministério do Turismo, o número de eventos internacionais no Brasil cresceu 400% em dez anos, passando de 61 para 315 por ano. Atualmente, 54 cidades brasileiras sediam esses eventos, mostrando expansão de 154% em relação aos 22 municípios registrados há uma década.

Em 2018, a agenda está recheada de atrações internacionais, com shows de bandas históricas que além das músicas inesquecíveis de seus repertórios, fazem um show à parte com a estrutura de palcos e de atrações que complementam o show. Exemplos disso são o Rock in Rio e o Lollapalooza, que, além dos palcos de shows, sempre oferecem atrações paralelas como tirolesa, roda gigante, parede de escalada, entre outros.

“Quando o público chega nesses locais, não tem ideia da mão de obra que foi desprendida para que tudo esteja perfeitamente pronto para o dia do evento. A complexidade da montagem das estruturas e os riscos que os trabalhadores estiveram expostos para montagem e depois para desmontagem de todo espaço do evento”, afirma Anderson Chirmici, coordenador de desenvolvimento de cursos e serviços da área de segurança e saúde no trabalho do Senac.

Para Anderson, que também é especialista em engenharia de segurança do trabalho, são inúmeros os riscos que os trabalhadores estão expostos para execução dessa atividade. Trabalho em altura, com eletricidade e com soldas, além de movimentação de materiais com empilhadeiras e guindastes são alguns exemplos das atividades executadas. “Tudo com tempo de trabalho limitado e torcendo contra o mal tempo. Isso para que as atividades não parem e sejam feitas com perfeição. Para que tudo fique lindo e seguro - a mistura perfeita para que ocorram acidentes de trabalho, inclusive com potencial de serem fatais”, alerta o profissional.

Para esclarecer alguns pontos que envolvem esse cenário repleto de diversão, mas com possibilidades de riscos à segurança das pessoas, Anderson concedeu seus conhecimentos sobre a área.

Quem é o responsável pela segurança e treinamento desses profissionais?
Na montagem de estruturas de grandes eventos, muito provavelmente mais de uma empresa estará trabalhando ao mesmo tempo no mesmo local, executando atividades diferentes, com riscos diferentes e na maioria dos casos, com poucos funcionários em cada empresa.

De acordo com a norma regulamentadora 4 – Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho do Ministério do Trabalho, para obras de engenharia civil seria necessário um técnico de segurança do trabalho somente a partir de 101 funcionários (por empresa). 

Se as empresas que estão realizando o serviço de montagem de estruturas de um show, por exemplo, e estiverem com menos de 101 funcionários, é necessário um técnico de segurança do trabalho acompanhando a atividade?
Sim. Nesse caso, o técnico de segurança do trabalho não será um funcionário da empresa, mas sim um prestador de serviços contratado para ser o responsável pela implantação e gestão da segurança do trabalho durante toda atividade. Outra possibilidade é a empresa responsável pelo evento fornecer o técnico de segurança do trabalho para acompanhar toda a atividade e implantar a segurança do trabalho. Mas, isso dependerá de negociação e contrato entre as empresas.

Mesmo que não houvesse a necessidade do técnico, continuaria tendo a obrigatoriedade legal de implantar os procedimentos de segurança do trabalho, sendo que na maioria dos casos, o técnico de segurança é o único que pode realizar esses procedimentos legalmente.

E quais as principais atividades realizadas pelo técnico de segurança do trabalho durante a montagem e a desmontagem de estruturas para eventos?
- Antes do início de qualquer trabalho, o técnico de segurança deve saber quais atividades serão realizadas, executar a análise de riscos para antecipação e reconhecimento dos riscos e elaborar o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais.

- O técnico ainda será o responsável por solicitar e controlar o comprovante dos treinamentos dos funcionários ou realizá-los quando necessário de acordo com a atividade a ser executada.

- Deve acompanhar as atividades, liberando o trabalhador, por meio de permissão de trabalho, para executar atividades de risco como trabalho em altura ou atividades com solda, sempre acompanhando o trabalhador e gerenciando a utilização dos Equipamentos de Proteção Individual (EPI) e Coletiva (EPC).

- É de responsabilidade do técnico propor condições de melhorias para as situações de risco e paralisar as atividades sempre que identificar uma situação que coloque o trabalhador em risco.

- Diariamente o técnico de segurança reúne todos os trabalhadores antes de iniciarem as atividades para realizarem um diálogo sobre segurança do trabalho, relembrando o trabalhador dos riscos das atividades e da necessidade de atuarem com segurança.

Para que os eventos sejam realizados perfeitamente, todo trabalho que o antecede deve ser muito bem planejado, organizado e seguro. Para isso, o técnico de segurança precisa dar um show de conhecimento e agilidade.


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