25/05/2018

pessoa de vermelho com mochila nas costas e chapéu admirando paisagem verde

De acordo com a Organização Mundial do Turismo (OMT), no relatório Estudos Estratégicos do Turismo para 2020, o comportamento do viajante, não mais apenas turista, é a de “viajar para destinos onde, mais do que visitar e contemplar, fosse possível também sentir, viver, emocionar-se e ser personagem de sua própria viagem”, o que aponta o surgimento de uma transformação nas demandas do setor”, segundo a OMT.

Como caracterizar o perfil e o novo modo de consumir viagens? Para Jessica Kobayashi Corrêa, coordenadora de desenvolvimento da pós-graduação Inovação e Empreendedorismo em Negócios Turísticos Sustentáveis do Senac EAD, a visitação e a contemplação já não satisfazem mais, vivenciar os costumes, a gastronomia, a arte e a paisagem consolidou em um novo nicho, o turismo de experiência. “Um apelo recorrente para a empolgação dessas viagens é a possibilidade de viver uma experiência única que você não pode obter em outro lugar”.

Na visão da profissional, o turismo de experiência é um nicho de mercado que apresenta uma nova forma de fazer turismo, em que existe interação real com o espaço visitado, mesmo que não seja o ideal, é o real e é o que o turista está em busca. “Essa prática turística está relacionada às aspirações do homem moderno, cada vez mais conectado e em busca de experiências que façam sentido. É uma maneira de atingir o consumidor de forma mais emocional, por meio de experiências que, geralmente, são organizadas para aquele fim. A ideia é estimular vivências e o engajamento em comunidades locais que geram aprendizados significativos e memoráveis”, afirma Jessica.

Para contextualizar, a coordenadora conta que essa forma de turismo já acontece em outras partes do mundo e chegou ao Brasil com força, impulsionando diversos negócios do setor. Em 2006, o Ministério do Turismo, em parceria com o Sebrae, desenvolveu o projeto Tour da Experiência, com o objetivo de desenvolver destinos que emocionem a partir da valorização dos empreendimentos que apresentam produtos diferenciados e que estejam alinhados com os conceitos da economia da experiência. Esse projeto começou no Rio Grande do Sul, na região da uva e do vinho, e se expandiu para Petrópolis, Belém e Bonito. Desde então, vem se difundindo por cidades de diferentes portes, do sertão ao cerrado, passando pelo litoral.

“Essa expansão se justifica porque o público que busca essa forma de viagem tem um poder aquisitivo maior, com serviços oferecidos por um preço que varia de 10% a 50% maior que os tradicionais”, relata Jessica. E, segundo dados do Ministério do Turismo, esse consumidor tem de 35 a 50 anos, pertence às classes A ou B, e já havia viajado para fora do Estado onde mora nos últimos seis meses.

No mercado, ela explica que as agências de viagem encontraram nesse nicho a oportunidade de personalizar a viagem para esse cliente, e o marketing desse destino está diretamente relacionado ao sucesso da escolha do lugar visitado.

Para Jessica, um dos caminhos para a formatação desse produto é desenhar experiências a partir do entretenimento, recriar rotas a partir de livros e filmes, gastronomia, espiritualidade e um grande leque de opções que podem ser abordadas.

“Na prática, isso se traduz na realização de sonhos e expectativas desse viajante, como por exemplo: viver uma oficina de cerâmica nas ilhas gregas; participar de uma cerimônia do chá no Japão; aulas de surf no Havaí, praticar atividades de bem-estar e relaxamento na Tailândia; ou ainda reviver uma cena do seu filme preferido na Inglaterra. Esses são típicos exemplos de produtos desenhados no turismo de experiência”, exemplifica.

Nessa corrida pela adaptação às novas tendências, a experiência em si tem sido mais um item na escolha de um pacote de viagem. Ou seja, você escolhe detalhes da viagem, transporte, acomodação e o principal: qual experiência quer viver.

Obs: O AirBnB é uma organização que incluiu a experiência como produto a ser comercializado.


Leia também:O viajante quer uma experiência autêntica, diferenciada e personalizada.

 

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