04/06/2018

Menos plástico #AcabeComAPoluiçãoPlástica

A Organização das Nações Unidas (ONU) Meio Ambiente e o governo da Índia anunciaram que, em 2018, o país asiático será sede das comemorações do Dia Mundial do Meio Ambiente, lembrado em 5 de junho. De acordo com a ONU, com o tema #AcabeComAPoluiçãoPlástica, "a data chama governos, setor privado, comunidades e indivíduos a reduzir a produção e o consumo excessivo de produtos plásticos descartáveis, que contaminam oceanos, prejudicam a vida marinha e afetam a saúde humana".

Mas, como está o Brasil nesse cenário de poluição plástica? Você reutiliza as garrafas de água ou encaminha para reciclagem? E as empresas, o que têm feito nesse aspecto? Qual o papel do profissional dessa área? 

Professoras do curso Tecnologia em Gestão Ambiental do Senac EAD, Rachel Xenia Chang, Deborah Santos Prado e Anny Karine de Medeiros, respondem a essas e outras questões referentes à preservação do meio ambiente.

Quais as condições atuais da poluição plástica?
A questão da poluição plástica entrou na pauta dos problemas ambientais mais urgentes do século. Especialmente pela intensidade de utilização do material em praticamente todos os produtos cotidianos da humanidade. Além disso, o plástico possui uma baixa taxa de degradação no ambiente natural e estima-se que há 8,3 bilhões de toneladas de plástico acumuladas no planeta. Seu descarte inadequado representa, entre diversos problemas socioambientais, um impacto intenso na contaminação dos oceanos e para a sobrevivência da fauna marinha.

Segundo o relatório da Ellen MacArthur Foundation (2017) intitulado A Nova Economia do Plástico - The New Plastics Economy: Catalysing action, “a cada ano, pelo menos 8 milhões de toneladas de plástico ‘vazam’ para os oceanos – o equivalente ao conteúdo de um caminhão de lixo por minuto. Se não for adotada nenhuma medida, esse volume deve aumentar para dois caminhões de lixo por minuto até 2030 e quatro por minuto até 2050”. Em um país como o Brasil, que tem uma das maiores zonas costeiras do mundo, com mais de 8 mil quilômetros de faixa litorânea, o enfrentamento dessa problemática vem se tornando crucial.

O que tem sido feito para reduzir a poluição plástica no país?
Um grande avanço para a redução da poluição plástica no Brasil foi a regulamentação do descarte adequado dos resíduos e da coleta seletiva. Em 2010 o Brasil criou a Política Nacional de Resíduos Sólidos – (PNRS, Lei Federal nº 12.305/10), instituindo um conjunto de ações que visam a coleta e a restituição dos produtos e resíduos sólidos ao setor público e empresarial, para reaproveitamento em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou ainda, prevendo uma destinação final ambientalmente adequada. Desde então, muitos avanços foram registrados, embora a PNRS ainda não tenha sido totalmente implementada.

Além disso, o Brasil tem integrado os esforços mundiais sobre a causa da poluição plástica. Dentre os mais recentes, está o compromisso voluntário do Brasil durante a Conferência dos Oceanos, realizada em junho de 2017, em elaborar um Plano Nacional de Combate ao Lixo do Mar, com previsão de lançamento para 2019. O plano em elaboração pretende engajar governos, público, ONGs e empresas para combater o lixo plástico marinho.

O que as empresas têm feito?
Operacionalizar programas de logística reversa  tem sido uma ação estratégica. Ainda no âmbito da Política Nacional de Resíduos Sólidos, ela é entendida como um instrumento de desenvolvimento econômico e social caracterizado por ações, procedimentos e meios para gerenciar o fluxo de materiais do ponto de consumo até o ponto de origem (cadeia reversa). Isso significa viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento ou para uma destinação final ambientalmente adequada.

Para ilustrar, pode-se citar o Acordo Setorial de Embalagens em geral, de 2015. Em acordos desse tipo, o poder público e os fabricantes, importadores, distribuidores ou comerciantes, buscam implementar a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos, que no caso das embalagens, tem o plástico como um dos materiais mais comuns.  

A operacionalização do sistema de logística reversa previsto nesse acordo está dividido em duas fases. O acordo contempla apoio a cooperativas de catadores de materiais recicláveis e parcerias com o comércio para a instalação de pontos de entrega voluntária (PEVs). Trata-se de um caminho interessante se bem implementado, pois deve ocorrer mediante o fomento de ações, investimentos, suporte técnico e institucional pelas empresas no âmbito da responsabilidade compartilhada por todas as embalagens, e em parceria com cooperativas. O acordo também prevê a promoção de campanhas com o objetivo de sensibilizar o consumidor para a correta separação e destinação das embalagens.

E o que a população pode fazer?
Como consumidores, é fundamental que todos os elos da cadeia estejam envolvidos e que o cidadão saiba a destinação adequada dos seus resíduos. Exigir a implementação da coleta seletiva em seu município e o estímulo ao consumo consciente podem ser ações relevantes, em um cenário alarmante, em que apenas 18% dos municípios brasileiros possuem coleta seletiva, segundo dados do IBGE de 2016. Desses 18%, cerca de 8% dos programas municipais de coleta seletiva estão na região Sudeste e, muitas vezes, não atendem a toda a população, como é o caso da cidade de São Paulo.

Qual o papel do profissional que atua nessa área para esse cenário melhorar?
Eles têm um papel crucial para transformar esse cenário, especialmente aqueles com formação multidisciplinar, como é o caso de gestores e gestoras ambientais. Com uma compreensão sistêmica e complexa dos problemas ambientais, esses profissionais são capazes de desenhar estratégias de longo prazo, possíveis de trazer transformações socioambientais expressivas e não apenas compensatórias. Além disso, profissionais capazes de integrar as dimensões sociais, culturais, econômicas e políticas junto às pautas ecológicas são os mais indicados para lidar com as questões ambientais.


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